Tactac, tactac. Se aproximando.
Daí você pensa em todas as coisas caóticas que não gostaria de pensar e todas as piores lembranças que poderiam surgir na sua mente em menos de um milésimos de segundos sem nem mesmo você ter tido um motivo para relembrar todas elas, mas pronto: BUM! Elas estão ali. O máximo que você pode fazer é apertar os olhos e fingir que não lembrou de nada. Encolha-se um pouco meio relutante e depois tudo passa. O mundo é cão mesmo.
Tactac, tac tac. É no quarto ao lado.
Dá tempo de tentar querer correr pelo mundo pelado, toda aquela pressão e as pessoas andando de um lado para o outro por motivos que você desconhece mas todas elas estão vindo de um lugar e indo para outro sem ao menos cruzarem os olhares (olham reto, encilhadas). É isso aí meu velho! Este é ritmo das ruas! Esqueça relutar, você já faz parte de tudo isso!
Tactac, tactac. Agora é aqui.
Seu coração bate acelerado e é só disso que você vai lembrar. Está na hora de sumir.
O tempo acabou, a porta se abriu!
-Bom Dia, Seu Ílio!
Engula, aqui a ziprasidona. O diazepam. E o fenobarbital. A água. Pronto.